"A
sobrevivência foi a realização mais duradoura, o grande
evento, da história cigana. Por isso Angus Fraser, autor do melhor
trabalho historiográfico sobre ciganos, escreve na primeira página
de seu livro: "Quando se consideram as vicissitudes que eles (os ciganos)
encontraram, porque a história a ser relatada agora será antes
de tudo uma história daquilo que foi feito por outros para destruir
a sua diversidade, deve-se concluir que a sua principal façanha foi
a de ter sobrevivido. "
Os Ciganos são chamados de "povos das estrelas" e dizem
que apareceram
há mais de 3.000 anos, ao Norte da Índia, na região
de Gujaratna localizada margem direita do Rio Send. No primeiro milênio
d.C., deixaram o país e se dividiram em dois ramos: o Pechen que
atingiu a Europa através da Grécia;
e o Beni que chegou até a Síria, o Egito e a Palestina. Existem
vários clãs ciganos: o Kalê (da Península Ibérica);
o Hoharano (da Turquia); o Matchuaiya (da Iugoslávia); o Moldovan
(da Rússia) e o Kalderash
(da Romênia).
Porém de acordo com a nossa Tradição, a teoria mais
freqüente sobre a origem do Povo Cigano, é que após um
período de adaptação neste planeta, os ciganos teriam
surgido do interior da Terra e esperam que um dia possam regressar ao seu
lar. Nada mais podemos revelar sobre isto, pois trata-se de um dos nossos
"segredos" mais bem preservados. Preste atenção
à nossa trajetória e use com sabedoria a sua imaginação.
O grande lema do Povo Cigano é: "O Céu é meu teto;
a Terra é minha pátria e a Liberdade é minha religião",
traduzindo um espírito essencialmente nômade e livre dos condicionamentos
das pessoas normais geralmente cerceadas pelos sistemas aos quais estão
subjugadas.
respeitando seus ciclos naturais e sua força geradora e provedora.
Santa Sara é comemorada e reverenciada todos os anos, nos dias 24
e 25 de maio, através de uma longa noite de vigília e oração,
pelos ciganos espalhados no mundo inteiro, com candeias de velas azuis,
flores e vestes coloridas; muita música e muita dança, cujo
simbolismo religioso representa o processo de purificação
e renovação da natureza e o eterno
"retorno dos tempos".
Os ciganos chegados em Andaluzia no séc. XV vieram do norte da Índia,
da região do Sind (atual Paquistão), fugindo das guerras e
dos invasores estrangeiros (inclusive de Tamerian, descendente de Gengis
Khan). As tribos do Sind se mudaram para o Egito e depois para a Checoslováquia,
Rússia, Hungria e Polônia, Balcãs e Itália, França
e Espanha. Seus nomes se latinizaram (de Sindel para Miguel; de András
para André; de Pamuel para Manuel, etc.). O primeiro documento data
a entrada dos ciganos na Espanha em 1447. Esse grupo se chamava a si mesmo
de "ruma calk" (que significa homem dos tempos) e falavam o Caló
(um dialeto indiano oriundo da região do Maharata). Eles trouxeram
a música, a dança, as palmas, as batidas dos pés e
o ritmo quente do "flamenco", tanto que essa palavra vem do árabe
"felco" (camponês) e "mengu" (fugitivo) e passou
a ser sinônimo de "cigano andaluz" à partir do séc.
XVIII.
Esse povo canta e dança tanto na alegria como na tristeza pois para
o cigano a vida é uma festa e a natureza que o rodeia a mais bela
e generosa anfitriã. Onde quer que estejam, os ciganos são
logo reconhecidos por suas roupas e ornamentos, e, principalmente por seus
hábitos ruidosos. São um povo cheio de energia e grande dose
de passionalidade. São tão peculiares dentro do seu próprio
código de ética; honra e justiça; senso, sentido e
sentimento de liberdade que contagiam e incomodam qualquer sistema. Porém,
a comunidade cigana ama e respeita a natureza, os idosos e todos os membros
do grupo educam as crianças de todos, dentro dos princípios
e normas próprios de uma tradição puramente oral, cujos
ensinamentos são passados
de pai prá filho ou de mestre para discípulo, através
das estórias contadas e das músicas tocadas em torno das fogueiras
acesas e das barracas coloridas sempre montadas ao ar livre (mesmo no fundo
do quintal das ricas mansões dos ciganos mais abastados).