Liberdade
Nós ciganos só
temos uma religião:
a liberdade.
Em troca dela renunciamos
à riqueza,
ao poder, à ciência
e à sua glória.
Vivemos cada dia como se
fosse o último.
Quando se morre, se deixa
tudo:
um miserável carroção
ou um grande império.
E nós cremos que
naquele momento
é muito melhor termos
sido Ciganos do que reis.
Não pensamos na morte.
Não a tememos, eis
tudo.
O nosso segredo está
em gozar a cada dia
as pequenas coisas que a
vida nos oferece
e que os outros homens não
sabem apreciar:
uma manhã de sol,
um banho na nascente,
o olhar de alguém
que nos ama.
É difícil
entender estas coisas, eu
sei.
Ciganos se nascem.
Gostamos de caminhar sob
as estrelas.
Contam-se coisas estranhas
sobre os Ciganos.
Dizem que leem o futuro
nas estrelas
e que possuem o filtro do
amor.
As pessoas não creem
nas coisas que não
sabem explicar.
Nós, ao contrário,
não procuramos explicar
as coisas nas quais cremos.
A nossa é uma vida
simples, primitiva.
Basta-nos ter o céu
por telhado,
um fogo para nos aquecer
e as nossas canções,
quando estamos tristes.